Restaurante Cad'oro


O Ca’d’Oro foi responsável por introduzir no Brasil, a culinária do Norte da Itália, onde predominam as carnes de caça como perdizes, codornas, faisões, coelho, pato, massas delicadas, o “bollito misto” do Piemonte, (cozido sortido) a polenta cremosa, o Ossobuco de Vitela e o Carpaccio, entre outros pratos que não existiam na São Paulo das cantinas e pizzarias.

Entre os pratos com histórias mais marcantes no Ca’d’Oro, está o risotto com açafrão, o Risotto alla milanese. A princípio, a clientela estranhou, reclamou diziam ser “uma papa com gosto de remédio”. Fabrizio Guzzoni, o fundador, insistiu pois havia trazido receitas consagradas, nas quais confiava e tinha certeza que seriam bem aceitas, embora estranhadas no início. Como era de se esperar, o potencial do público local foi comprovado enquanto, gradualmente, ‘adquiriam o paladar’ refinado, e o prato conquistou a sociedade.

Pouco tempo após a inauguração do restaurante, certa tarde no final do expediente, Guzzoni foi acompanhado de amigos a um “botequim” próximo às esquinas das avenidas Ipiranga e São João. Sentou-se no balcão e perguntou qual o aperitivo mais vendido, e serviram-lhe uma caipirinha clássica de pinga. Ele nunca havia experimentado, adorou, e resolveu servir em seu restaurante. Os garçons brasileiros que trabalhavam no Ca’d’Oro ficaram preocupados e avisaram que a caipirinha era feita com cachaça, bebida de botecos, jamais deveria ser servida em locais “finos” pois seria duramente rejeitada por toda clientela da alta sociedade paulistana que já começava a frequentar o restaurante. Confiante em seu gosto e tato, insistiu que era deliciosa. Ele tinha um principio: “o que é bom vende”. Trocou gelo em pedaços por gelo picado, elaborou uma apresentação mais caprichada, os estrangeiros adoraram, era o drink mais vendido no restaurante e depois no hotel. Assim, no Ca’d’Oro, viu-se a mudança da antes má-reputação que levava a Caipirinha, a ser finalmente reconhecida e apreciada.